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Razões para o fim
A Cidade Cyber nasceu
na Areia Hostil, quando preparávamos o fechamento da
edição de estréia, em dezembro de 2000. Precisava resolver alguma coisa para as quatro
páginas que tinha direito. E sofria com isso. Tinha tantas idéias e
todas elas seriam impossíveis de serem realizadas naquele limite.
Resolvi recorrer a uma
fórmula antiga, do tempo dos fanzines, fui direto à pasta das histórias
incompletas e reaproveitei alguns desenhos, fiz colagens buscando alguma
coerência narrativa. Depois lembrei que haviam textos do Tony James
(baixista da banda cyberpunk inglesa Sigue Sigue
Sputnik), que ele me
mandou em algumas mensagens. Frases de efeito, pedaços de letras não
aproveitadas. Coisas que estimularam uma narrativa em off que sobrepus
nas quatro páginas. Logo chegou a Areia Hostil número 2 e repeti a mesma
fórmula. Novamente pedaços de histórias antigas, remixadas com
textos perdidos das minhas anotações insanas.
Então veio a
edição 3 e com ela a necessidade de eleger um herói para trama que
afinal seria mesmo Cidade Cyber. Fui buscar nos meus primeiros quadrinhos
cybepunks a inspiração. Logo, o personagem Anti-Cimex
renasce com um
traço hachurado, no estilo dos desenhos do meu primeiro fanzine, o X-TRO,
do distante 1986. Começava o arco Entropia na
Cidade Cyber, que se estendeu
até a edição 5, com a pretensão de fomentar um universo, costurar
personagens e situações. Dar um rumo, um sentido para o estado das
coisas. Essa ambição motivou o novo arco Ultraviolência que estreou na
Areia Hostil 6, e também a entrada de outros personagens na Cidade Cyber, em
spin-offs publicados aqui na edição eletrônica. Por isso os
Góticos-Cybernéticos, A Irmandade da Caveira
Vermelha... Ou Revolução
Industrial e Subway, séries que chegaram a ser anunciadas e que teriam estreita
ligações com o que estava sendo publicado na versão impressa.
Mas a história da edição 7 revelou uma possibilidade
de dar um fim naquilo tudo de uma forma mais rápida e brutal. Me sentia
verdadeiramente cansado nesses últimos meses. Estava no limite, em relação
a todo esse material. A violência, os códigos tecnológicos e o sexo sem
sentido que as Sex Machine emanavam me faziam andar em
círculos. Me perdia elaborando roteiros enormes, envolvendo dezenas
de personagens e situações. Quando percebi que teria que desenhar tudo
aquilo que estava se acumulando... No way!
Seriam necessários anos de Areia Hostil para podermos ter uma teia narrativa
coerente. Sem esquecer que grande maioria dos nossos leitores se incomodam profundamente
com todos esses delírios cyberpunks que a Cidade Cyber propõe. Por isso
a série termina na Areia Hostil número 8, que será lançada em janeiro
de 2004, deixando de fora muita coisa que poderia ter acontecido. Mas por
outro lado, o final que será apresentado costura por completo todos os
acontecimentos desde a primeira história,
A Cidade
Cyber Nunca Dorme.
Law
Tissot
novembro de 2003. |
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